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Educação da Ciência e difusão do conhecimento.

 

 

Mônica Valdyrce dos Anjos Lopes Ferreira, Coordenadora

 

INTRODUÇÃO

 

O papel científico, social e cultural de instituições de pesquisa e universidades será inteiramente legitimado quando ações de disseminação do conhecimento forem geradas com o objetivo de integrar pesquisa e atividades de educação. Ao mesmo tempo, disseminação de conhecimento científico é fundamental para a crítica e envolvimento consciente da sociedade nos temas em ciência & tecnologia, pressupondo que estas ações podem transformar a vida das pessoas e gerar talentos especiais.

 

Em diferentes níveis, tais ações envolvem a geração de conhecimento científico da pesquisa desenvolvida em áreas biomédicas básicas, área educacional e História da Ciência.

 

Este plano irá seguir o originalmente proposto e desenvolvido com sucesso, desde 2009, pelo INCT em Toxinas, construído em colaboração com a Universidade de São Paulo, mais atividades adicionais. Procurando cobrir aspectos distintos de educação e disseminação de conhecimento científico, este plano irá incluir: oficinas temáticas e cursos avançados focados em múltiplas áreas envolvidas neste Centro; pesquisa em educação não formal em museus de ciência com produção de ferramentas educacionais e de comunicação, gerenciamento de registros científicos e pesquisa em História da Toxinologia.

 

A literatura existente foca largamente na disseminação do conhecimento e representações culturais com museus de arte e como se relacionam com a ordem social, educação, e meios de criação de conhecimentos cultural e científico. A produção e disseminação das ciências, por outro lado, tem sido tratada em um senso acadêmico e normalmente focaliza na área do cientista. Um museu de ciência, com pesquisa científica ativa, é uma combinação de ambas estas áreas de estudo (museus e conhecimento científico) e será aqui tratada como tal. Como o aprendizado de ciência em parâmetros não escolares vem recebendo atenção crescente, tanto na prática, como na literatura de pesquisa; os museus da instituição anfitriã [Museus do Instituto Butantan], como Biológico, Histórico, Microbiológico, irão atuar tendo papel chave nesta colaboração. Então, este Plano de Educação e Disseminação de Conhecimento pretende trazer à luz a importância dos museus de ciência no processo de formação de cidadãos, reforçando o desempenho na apropriação de conhecimento cientifico pelos estudantes e outras audiências. Nesta perspectiva, estes Planos almejam estimular e fortalecer elos entre pesquisa e instituições acadêmicas, museus e escolas, em três margens que serão descritas abaixo:

 

ATUALIZAÇÃO CIENTÍFICA BÁSICA E AVANÇADA                                                               

 

Um programa sistemático de workshops será desenvolvido para atualizar e revisar a última geração dos projetos de pesquisa científica e tecnológica em andamento, envolvendo todos os grupos participantes. Estes eventos objetivam diferentes audiências, tais como investigadores, estudantes de graduação e pós-graduação relacionados à Imunologia, Farmacologia, Fisiopatologia e Medicina. Estas oficinas irão estabelecer redes colaborativas multi-institucionais e grupos de estudo de alto nível científico, fortalecendo as pesquisas em curso, e fornecendo um ambiente para reunir pesquisadores seniores e estudantes de diferentes níveis e instituições. Todas as palestras dadas serão gravadas, transcritas e reunidas em publicações periódicas, tanto impressas quanto eletrônicas. O acesso às publicações, assim como o material digital, estará gratuitamente disponível para estudantes e pesquisadores para propósitos acadêmicos.

 

Também, conversas e debates com cientistas darão aos estudantes uma oportunidade de interagir com pesquisadores envolvidos em todas as áreas de pesquisa desenvolvidas nesse CEPID, onde os cientistas explicam seus trabalhos atuais numa discussão moderada com o público. As sessões tomarão lugar no patamar dos museus de ciência e laboratórios de pesquisa cobrindo uma grande variedade de assuntos.

 

As trocas de experiências e pesquisas em tais ambientes colaborativos darão suporte para a produção e disseminação de materiais, tais como manuais e vídeos sobre envenenamento, contribuindo para melhorar a prevenção de problemas de saúde pública. Parcerias com agências governamentais, tanto em nível federal, regional ou local, são esperadas para fornecer condições de distribuição destes materiais para profissionais da saúde, especialmente aqueles trabalhando nas mais relevantes áreas em termos de risco epidemiológico e falta de acesso à informação.

 

Recursos tecnológicos e infraestrutura de comunicação (tais como videoconferências) já disponíveis no Instituto Butantan, serão usadas nas oficinas, seminários, palestras, defesas públicas de teses, cursos de ensino à distância e telemedicina, a fim de amplificar o impacto destes eventos. Todos os conteúdos, eventos e notícias relacionadas às atividades do CeTICS serão endereçados no website. Um blog também pode ser uma importante ferramenta para diferentes audiências para trocar informação sobre recentes avanços em pesquisa, desenvolvimento tecnológico, doenças e outros problemas de saúde relacionados às pesquisas do CEPID.


 

 

LABORATÓRIO DE EDUCAÇÃO NÃO FORMAL E DISSEMINAÇÃO DA CIÊNCIA

 

Através de experiências adquiridas no CEPID anterior e no INCT em Toxinas, este Laboratório deve consolidar e renovar ações de extroversão no Instituto Butantan, fortalecendo uma nova área que já tem projetos apoiados por agências de financiamento (CAPES, FAPESP e CNPq). O projeto pretende produzir conhecimento de ponta, e consolidar o CeTICS como um polo de geração de inovação em educação não-formal e disseminação da ciência para estudantes e outros públicos. O Laboratório será mantido no Instituto Butantan, e suas atividades serão desenvolvidas por pesquisadores especializados em educação em museus e estudantes de graduação ou pós-graduação.

 

Esse tópico se desenvolverá com a Faculdade de Educação e o Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. Todos os participantes têm longa experiência em exibições de coleções científicas e pesquisa de entendimento educacional de ciência.

 

A proposta é investigar os processos de seleção de coleções e conteúdos, e os objetivos das exibições, assim como analisar os meios pelos quais os objetos e textos fornecem conhecimento científico. Estas pesquisas serão desenvolvidas nas seguintes áreas de pesquisa: Sociologia e Epistemologia da Educação e ensino público.

 

As influências de contextos políticos, econômicos, culturais e sociais, nas atividades educacionais dos museus, serão pesquisadas na área sociológica. Sistemas, atores e instituições que constroem, controlam e legitimam as atividades educacionais serão estudados.

 

A abordagem epistemológica pretende compreender processos de ensino e aprendizado de conhecimento científico em museus de ciência, especificamente em Biologia. O impacto das ações educacionais será analisado pelo público de pesquisadores, especialmente com audiências de escolas, a fim de desenvolver metodologias específicas para educação não formal. O estudo irá identificar o perfil sócio demográfico e cultural de públicos dos museus de ciência, suas motivações, interesses, opiniões e preferências. Os dados obtidos nos museus do Instituto Butantan serão tomados como referência e comparados com outros registros obtidos em pesquisas similares de museus de ciência. Como um resultado, nós esperamos melhorar a compreensão das relações entre diferentes públicos e conteúdos científicos e oferecer subsídios para estabelecer políticas públicas em áreas culturais e educacionais.

 

Os principais conteúdos científicos estudados no CEPID, diretamente relacionados aos projetos de pesquisa atuais em Modelos Bioquímicos, Bioprospecção, Biodiversidade e História da Ciência, em conexão com os estudos em áreas de pesquisa da educação não formal, permitirão entender como estes conceitos são produzidos, disseminados e perseguidos nos museus, reforçando seus papéis no sistema educacional. Resultados de pesquisas, sociológica, epistemológica, e de público, irão apoiar a produção de materiais educacionais e exibições, como segue:

 

Concepção e desenvolvimento de exibições: Exibições temporárias e itinerantes irão apresentar questões produzidas pelas diferentes pesquisas. Por exemplo, uma exibição temporária da História da Toxinologia pode ser produzida usando registros científicos como fonte para pesquisas históricas, focando na ênfase do desenvolvimento não linear da Ciência. Visitas educacionais e materiais (impressos e/ou eletrônico) relacionados a estas exibições irão reforçar os aspectos científicos e históricos do desenvolvimento de conhecimento para audiências escolares e não escolares. As exibições interativas temporárias serão instaladas na instituição anfitriã enquanto as exibições itinerantes irão circular entre as instituições parceiras e eventos de disseminação científica; todas estarão abertas para visitação livre.

 

Desenvolvimento de conteúdo, projeto e produção de materiais educacionais: Os materiais educacionais serão desenvolvidos como ferramentas de exibições de museus de ciência e atividades educacionais, almejando estimular o interesse e curiosidade dos estudantes. Estes materiais podem ser usados em diferentes programas, como listados:

 

Programa escolar: fornecido para todas as idades e níveis, especialmente o elementar e colegial, oferecendo atividades ligadas ao currículo, tais como Laboratório de Microbiologia, e atividades proativas, onde estudantes podem manusear espécimes reais de coleções zoológicas. Além disso, uma série de vídeos educacionais será produzida para professores e diretores de nível elementar e de colégio. Este produto pode ajudar os professores a planejar as visitas em adiantado e fazê-las mais produtivas, minimizando as possibilidades de ter crianças e adolescentes bagunçando através das galerias sem uma oportunidade para observação e descoberta.

 

Programa familiar: estamos tentando desenvolver uma área especial e um local para engajar as atividades projetadas para atrair e incluir todos os membros da família, especialmente pré-escolares e crianças da escola primária.

 

Programa para grupos incapazes: é essencial, para os museus de ciência envolvidos neste Plano, promover acessibilidade e participação de pessoas com inabilidade nas atividades educacionais. Neste sentido, alguns produtos podem ser desenvolvidos para fornecer informação e serviços em um alcance de formatos acessíveis, tais como letras grandes e versões tácteis de informação chave sobre as exibições, gravações de áudio, réplica de objetos seletos exibidos ao longo, com “rótulos em Braille”, caixas de conjuntos especialmente projetadas nos modelos de espécimes e antiguidades para ter um conceito claro de objetos, animais, insetos, microrganismos, DNA, etc. Todos os materiais educacionais irão incorporar resultados de pesquisas recentemente desenvolvidas pelo Centro e serão desenvolvidos em acordo com os programas pré-existentes dos museus de ciência incluídos neste Plano. Eles podem ser produzidos em diferentes suportes: eletrônico, tais como CD-ROM e exibições on-line; ou impressos, tais como games, livretos e guias. Este produto, com um grande potencial para se tornarem parte de um pequeno negócio, serão incluídos no Plano de Transferência de Tecnologia.

 

GERENCIAMENTO DE REGISTROS CIENTÍFICOS E PESQUISA EM HISTÓRIA DA TOXINOLOGIA

 

A avaliação de documentos produzidos em laboratórios de pesquisa básica dá suporte à compreensão dos processos históricos relacionados a áreas específicas, as trajetórias acadêmicas de cientistas e os mecanismos institucionais governamentais e políticos. No Brasil, esta análise aponta a importância da Toxinologia para o desenvolvimento de diferentes áreas da ciência, tais como Herpetologia, Farmacologia, Imunologia e Bioquímica.

 

No começo do século XX, Vital Brazil iniciou estudos de animais venenosos e seus venenos, abrindo uma nova área da ciência. Durante mais de cem anos, o trabalho de muitos cientistas tem sido decisivo para fornecer subsídios para o nascimento da Toxinologia no Instituto Butantan. Isto também estimulou outros cientistas brasileiros em outras instituições acadêmicas a estudar biologia animal e toxinas, resultando em contribuições decisivas para o desenvolvimento das Ciências Biomédicas, tais como o isolamento e caracterização de propriedades anti-hipertensas no veneno da serpente brasileira Bothrops jararaca.

 

Para apoiar a investigação da História da Toxinologia no Brasil, entrevistas com cientistas e uma pesquisa de documentação será desenvolvida. Pesquisadores renomados serão entrevistados seguindo uma programação estruturada a fim de obter-se informação relevante relativa ao marco inicial de suas trajetórias científicas, uma breve descrição dos estudos principais, dificuldades ou barreiras, expectativas ou projeções dos pesquisadores para o futuro; depois de consentimento formal, as entrevistas serão gravadas e transcritas. A pesquisa em documentação será levada no Instituto Butantan, seguindo três passos: 1. Identificação de documentos, pelo produtor, destino e mecanismo de distribuição, de acordo com critérios pré-estabelecidos (público, privado, ou confidencial); 2. Descrição de documentos, pela forma (originais, cópias, rascunhos) e tipologia (relatórios, boletins, artigos, etc.) e 3. Preservação e disseminação de documentos, transferindo-os para suporte eletrônico (digitalização e constituição de um repositório de banco de dados), como fontes de pesquisa acadêmica. Esta proposta será conduzida por arquivistas experientes e historiadores da instituição anfitriã, em colaboração com pesquisadores principais e associados, reforçando aspectos interdisciplinares do CEPID. Os resultados principais da pesquisa em documentação comporá um arquivo guia para historiadores e arquivistas da História da Ciência e Saúde e um banco de dados de Toxinologia. Além disso, uma série de livros será publicada para fornecer informação biográfica sobre os pesquisadores selecionados, suas produções científicas e o contexto sociocultural no qual estas foram produzidas.

 

Equipe

 

Mônica Valdyrce dos Anjos Lopes Ferreira, Coordenadora

Fernanda Paiva Guimarães, Coordenadora de Comunicação

Carolina Pereira Liauw, Gestora

Adriana Mortara Almeida – Pesquisadora Associada

 

 

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